domingo, 15 de julho de 2012

Pelas ruas que andei

                                       


Detesto fins de semana, principalmente os domingos.
Para mim representam lentidão, solidão, esquecimento, abandono... sei lá.
Eu antes tinha o hábito de andar pelas ruas do bairro nos fins de tarde; adorava.
Hoje não dá para fazer mais isso, meus joelhos inchados e gorduchos e minha coluna cheia de parafusos dificultam minha mobilidade, que ficou reduzida após tudo isso.
Deitei no sofá e liguei a TV, mas estava difícil ouvir, os vizinhos disputavam a potência de seus aparelhos de som: um tocando sertanejo-romântico-de-dor-de-corno e outro tocando pseudo forró. Sou radical nesse ponto, assumo. Forró para mim é Dominguinhos, é Luiz Gonzaga e não esse povo entalado que se esgoela sobre o som irritante, repetitivo e imutável do sintetizador. 
Levantei-me, coloquei a gataiada para dentro e saí sem destino.
Era uma tarde belíssima; céu azul, sol, nuvens branquinhas.
Gosto de fazer isso, gosto de dirigir sem destino.
Subi a ponte Aricanduva, entrei na Assis Ribeiro e fui até o fim dela, beirando a linha de trem; romântico, melódico, coisa simples e antiga. As casas simples, umas em cima das outras, a urbanização sem projeto, feita ao sabor da necessidade e sem nenhuma preocupação com o trânsito, a segurança, nada. 
Alguns trechos me lembraram cidades do Nordeste. Saudades.
Termina a Avenida Assis Ribeiro e começa a Avenida São Miguel, depois a Avenida Amador Bueno da Veiga, na minha querida Penha. Dei um rolê pela ZL (zona leste).
Voltei para a ZN (zona norte) e subi as íngremes ruas da Vila Medeiros e do Loretto. Fui a um mercadinho de uns portugueses velhos e comprei vinho português, claro, queijo, pão e azeitonas. 
Voltei para casa e no caminho encontro meu irmão Rogério; levei-o ao trabalho, no Mercadão da Penha.
Voltei para casa com meus joelhos doloridos e as pernas adormecidas: "Parei por hoje".
Tomei um banho e depois saboreei as delícias portuguesas com certeza.
Assisti depois ao Globo de Ouro e me diverti com a breguice das roupas e dos cabelões da época. Angélica gorducha e cabeluda, Lulu Santos com as calças debaixo do peito e acima dos tornozelos, outros cantores e grupos que eu nem lembrava que um dia existiram.
Fui para a cama. Dormi. Acordei com cor de cabeça e de estômago; haja água de coco até o dia dois de agosto quando finalmente passarei em consulta. Amém.
Amanheceu um domingo frio e cinzento. 
Fiquei em casa. Fiquei mais tempo na cama com meus gatos encolhidos e aconchegados sobre e sob os cobertores.
Amanhã a correria recomeça e é disso que eu gosto.
Estou cansada.




                                   

Pedras

                                            


Sexta-feira que passou fui à cabeleireira para cortar meu cabelo bandido: ou está preso ou está armado.
Enquanto aguardava, fui observada, analisada e estranhada pelas pessoas que entravam e saíam do local. A filha da cabeleireira (palavra difícil) disse: "Meu irmão pensou que você era homem". Uma senhora entra escandalosamente, gesticulando e ignorando a todos que estavam lá: "O fulana, tu seca meu cabelo?", mas quando me viu fez cara de susto e mudou de ideia: "Não precisa não, meu cabelo seca sozinho".
Estou cansada de ouvir isso. Estou cansada de ser objeto de olhares, estranhamentos e o cacete!
Estou cansada de me olhar no espelho procurando pelos supostos traços masculinos e, honestamente, não vejo nada demais; apenas minha cara grande, branca e invocada.
Detesto ser encarada e medida de baixo a cima; se quiser perguntar, pergunta, $#%@#! mas não fica me olhando! 
Bom...
Eu fiquei na minha e ouvia a conversa da mulherada enquanto a cabeleireira trabalhava na minha juba rebelde; foram vários os assuntos tratados:
"Olhe, tu sabia que fulana pegou meu ferro e meu liquidificador emprestados e não devolveu ainda? Ela estragou meu ferro e eu tive que comprar outro; comprei umas marcas que não prestaram não. Olhe, se tu for comprar ferro, só compre 'béquidéqui' (Black&Decker)".
Falaram das vizinhas que não arrumam a casa, das filhas das vizinhas que ficam de conversa pelas ruas da comunidade, falaram de viagens, de preços, do tempo...
Terminado o serviço, paguei e deixei o local com as matracas falantes e fui à lojinha do meu irmão Fubá. Comprei os últimos pães que tinha e conversava com minha irmã Renata quando entram dois caminhoneiros gaúchos: "Tu tens pão?".
Eu disse: "Comprei os dez últimos, mas se você quiser, podemos dividir. Quantos você quer?"
Dividi os pães com os gaúchos e ainda conversei um bocadinho com eles, adoro o sotaque sulista. 
Subi até a casa do meu irmão e dali a pouco chegaram minhas irmãs Rosi e Lila com a família. Comemos pizza, contamos causos, rimos.
Lila levou a pequena Giovanna de cabelos cacheados e a bebezinha Yasmim e enquanto isso Rafaela se lambuzava com um chocolate. Preta, mãe de Rafaela de nove meses, segura Yasmim de um mês e diz: "Ai que saudade de quando a Rafa era pequena".
Hora de ir embora. 
Caminhamos até nossos carros e na rua encontro um casal de alunos que me fazem a mesma pergunta: "Quando a senhora volta?"
Fiquei feliz pelo carinho e pelo desejo e interesse de minha volta; já encontrei alunos que me disseram: "Volta logo, professora, pelo amor de Deus! Não aguentamos mais a professora fulana, ela é muito chata!".
Voltei para casa mais aliviada, como se um bálsamo fosse passado sobre ferida aberta.
Nem tudo pode ser cem por cento bom ou cem por cento ruim. Temos dias bons, outros nem tanto.
Alguns dias as pedras no caminho são mais fáceis de tirar, outros dias não.
E assim a vida prossegue.
Minha vida de acromegálica.
É isso.


                                            No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
tinha uma pedra 
no meio do caminho tinha uma pedra. 
Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho 
tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
no meio do caminho tinha uma pedra

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Consulta

                                                

Consegui finalmente marcar consulta com a gastroenterologista, será no início de agosto.
Acho interessante o atendimento do pessoal dos consultórios médicos: "Tem que estar ligando na semana que vem para poder estar agendando as consultas".Isso foi no final de junho e deu um trabalhão danado conseguir uma consulta para agosto; a maioria é para setembro!
Pergunto-me: "Mas não dá para abrir a agenda e olhar?!"
As atendentes, recepcionistas, secretárias e afins são responsáveis pelo péssimo atendimento que recebemos por telefone e pessoalmente nos consultórios. São moças e senhoras mal humoradas, grossas e impacientes. 
Posso dizer isso de cátedra, pois desde 2007 vivo fazendo visitas aos médicos e encarando secretárias bem grosseiras, viu?
Não são todas, há exceções, claro.
Uma coisa que acho desagradável e até comentei com uma amiga é o fato de a secretária pegar nossa ficha, ler o que o médico anotou e tudo isso em voz alta para todo o consultório ouvir! Meu problema de saúde diz respeito a mim e ao meu médico! Já me bastam os olhares, os comentários e toda a chatice que a Acromegalia me faz passar.
Como diria Sandra Annenberg: "Que deselegante".
E agora tudo de novo. Outra vez de novamente, como diria meu povo antigo.
Fazer exames para renovar a retirada do meu remédio, Sandostatin-LAR, e para o controle da Acromegalia. Faço isso cada três meses.
Mas estou mesmo é ansiosa pela consulta com a gastroenterologista; meu estômago dói demais e eu estou à base de água de coco, sucos e chás. E Buscopan, claro.
Tenho certa cisma disso, pois sempre tive digestão muito difícil e meu avô José tinha o "istambo" ruim também.
Estou me cuidando e vou ficar bem.
Amém.

                                                   

Toque

Meu jardim
                                            


Meus gatos têm fixação por água.
Sobem no tanque e ficam longos minutos a observar a água que sai da mangueira da máquina de lavar e escorre pelo ralo.
Quando lavo o quintal, é a mesma coisa; ficam olhando a correnteza formada pela água que escorre das plantas.
Léo Caramelo e Ébano Nêgo Lindo tentam pegar a água com suas patinhas fofas. Já falei para eles que não dá para pegar água, ela escorre.
Termino minhas tarefas e sento próximo à porta e observo meu quintal com minhas plantas cada vez mais bonitas e viçosas; a luz do sol e depois o ocaso deixam a tarde mais bonita.
A noite vem e é hora do leitinho morno de Ébano. Ele me segue pela casa, fica se esfregando em minhas pernas quando estou à pia da cozinha. Pergunto: "Você quer seu leitinho, é meu Nêgo Lindo?". Ele me olha com seus lindos olhos cor de mel e eu dou-lhe o leite morno e gostoso. Já tentei dar a ele leite de soja e de baixa lactose, mas não gostou. Ninguém gostou.
Cansaço.
Vou para a cama, estou muito cansada do meu "pra lá e pra cá" do dia a dia do cotidiano diário (!). Lembrei-me da conversa que ouvi de alguém aconselhando o amigo que estava com uma tosse braba: "Olhe, tu tem que tomar esse remédio todo dia diariamente, visse? Aí tu fica bom".
Insônia.
Insônia somada aos fogos pela vitória do Palmeiras, campeão brasileiro.
Leio. Concluo a leitura de Fahrenheit 451. 
Penso em ligar a TV, mas nesse horário não tem nada que preste: canais religiosos, canais de vendas de produtos e serviços, filmes chatos, e programação chata.
Vou até a cozinha e tomo suco de maracujá. São três e meia da manhã. Adormeço, graças a Deus.
Acordo com as vozes dos garis que varrem a rua.
Tento me mexer na cama mas fica difícil: a gataiada em volta, em cima de mim, na minha cabeça.
Morena Rosa encosta seu queixo quadrado em meu rosto, Ébano Nêgo Lindo coloca a patinha em minha mão, Léo Caramelo esfrega sua cabeça de leãozinho e abaixa para que eu a beije; Aurora encostada em mim, Alice em cima de mim e Branca me olhando com seus olhos coloridos, um de cada cor.
Todos me tocam e eu retribuo o amor, a confiança e o carinho deles com mais carinho.
A bicharada me faz muito bem. 
As pessoas não entendem.
Estou melhor, mas com muita dor ainda. E não apenas dores físicas, mas para estas têm remédios.
É isso.
Lá vou eu esperar um mês e meio para uma consulta com o médico.
Lá vou eu bater os quatro cantos de São Paulo; talvez só bata dois cantos, estou meio a pulso, como dizia papai.
Vou ficar bem.


Léo Caramelo, meu leãozinho
                                          

quarta-feira, 11 de julho de 2012

São Paulo

                                          


São Paulo é terra de migrantes e imigrantes.
Em São Paulo pode-se ver judeus, muçulmanos, cristãos, macumbeiros e todo tipo de gente convivendo numa boa. Claro que têm os tolos que se acham melhores que os outros e saem por aí batendo, queimando, violando as pessoas "diferentes" dos padrões estabelecidos sabe lá Deus por quem e por quê.
São Paulo nos recebeu de braços abertos e com sua garoa e seu céu cinza. Amo São Paulo, meu Santo São Paulo, como dizia mamãe.
Ainda lá no meu sertão pernambucano ouvia as pessoas da vizinhança dizer que o filho, o marido, um parente ou algum conhecido tinha ido a São Paulo. Via mamãe esperar ansiosamente pelo carteiro que trazia o dinheiro de São Paulo mandado por papai.
São Paulo é grande, rica, problemática, caótica, frenética, nunca dorme, nunca para; tem tudo, basta procurar.
Mas recentemente tenho sentido uma saudade arretada do meu Pernambuco.
É isso, estou entre dois amores: São Paulo e Pernambuco.
Quero estar onde a paz esteja.
A paz, o aconchego, a alegria...
Falei com minha tia Dolores que mora em Buíque e ela disse: "Olhe, minha filha, o povo aqui pensa que quem mora em Sum Paulo é rico. Basta chegar uma pessoa de lá e eles aqui dizem: 'Aquele cabra veio de Sum Paulo, então é rico, então tem dinheiro".
Não posso colocar aqui o que tia Dolores disse às essas pessoas iludidas com a suposta riqueza "fácil" de São Paulo. É rica sim, mas tem que trabalhar duro, encarar trânsito parado, transporte público esgotado, lotado, atrasado. Não é fácil não.
Meu Paipreto já dizia naquela época em  que a "mudernidade" nem era tanta assim: "É minha filha, Sum Paulo dá o ouro mas tira o couro!".
Paipreto era sábio.
É isso.


                                   

terça-feira, 10 de julho de 2012

Reclamações, Comerciais, Brasil

                                          


Vivo reclamando de produtos, serviços e atendimento.
Reclamo quando sou mal atendida por um funcionário mal educado. 
Sou meio antissocial, como já me disseram, mas sou educada e procuro respeitar a todos, até mesmo àqueles com que não simpatizo muito. Educação é a melhor arma e sempre fui muito na minha mesmo. Não sou de grandes arroubos de simpatia e emoções.
É cultural em nosso país o "deixa pra lá, é assim mesmo". Papai ainda acrescentava: "Tem jeito não".
Pois é.
É exatamente do "deixa pra lá" que vivem e se proliferam os péssimos serviços, produtos e atendimentos. Se ninguém reclama então pensa-se que está tudo bem e continua-se no erro. Não é assim?
Tem que reclamar sim! Temos nossos direitos, pagamos impostos abusivos, somos explorados, manipulados, usados... (até parece discurso político anti burguês).
Já reclamei junto à Unimed pelo preconceito que sofri por parte de uma funcionária; já reclamei junto à Receita Federal, junto à livrarias, lojas, prestadoras de serviços e afins.
Sou educada até demais, mas pisa na bola pra tu vê!
Outro hábito que tenho é de enviar e-mails para as emissoras de televisão e grandes empresas, tanto para elogiar como para reclamar, claro.
Por exemplo: Enviei e-mail para a Band elogiando o CQC e o Quem fica em pé. Ótimos programas que precisamos esperar para assistir; primeiro temos que ver o tal do Video News com a super pegajosamente, megamente simpática e sorridente Nadja Haddad. Essa moça apresentou o Jornal da Band e o fez tão bem; não entendo porque decidiu a prestar o papel de boba da corte em um programa chato que apresenta repetecos dos programas da Band e exibe video cassetadas às quais estamos cansados de ver no Domingão do Faustão e em outros programas de outras emissoras.
Ela tenta rir, gargalhar e achar tudo muito engraçado. Ela faz comentários tolos das imagens e videos tolos como se fossem algo muito importante; como se fossem comentários políticos, econômicos ou algo que o valha. Talvez a nossa política seja tola mesmo e os palhaços somos nós!
E por causa desse programeco bobo, o CQC "encolheu" para poder caber na grade da programação e não acabar muito tarde. Afinal, temos que trabalhar no dia seguinte.
Eliminado esse programa chato, o Quem fica em pé começaria mais cedo e o CQC começaria no horário antigo e assim poderíamos assistir aos bons quadros de antes, como o O povo quer saber, CQTest, Resta um.
Outra coisa da qual reclamo é dos comerciais de televisão. 
Em uma postagem anterior elogiei a Fiat pelo elegantíssimo comercial de lançamento do carro Línea, mas tempos depois a montadora perde a mão, esquece o bom gosto e faz comerciais de péssimo gosto com péssimos garotos propaganda: Michel Teló, os manés que cantam (não sei o nome deles e nem quero saber) eu quero tchu, tcha e mais recentemente com o cinquentão que tem complexo de Peter Pan, Sérgio Malandro.
Será que já falei sobre isso aqui? Não sei, mas já que estou aqui, falo de novo.
O cara só saber falar glu,glu, yeah,yeah e acha isso muito engraçado!
Esse é um empacado no tempo e no espaço e vive da fama de sua celebridade Z (existem as celebridades A, entende?).
Outro comercial de motos exibe o cara cantando a musiquinha do oi, oi, oi cercado por moças de maiô dançando à lá Beyoncé. Acho que a próxima música desse rapaz vai ser: tchau, tchau, tchau...
É claro, público, óbvio e notório que os comerciais brasileiros apelam para uma sexualidade exagerada. Somos conhecidos por nossa sensualidade, mas há uma tênue linha entre o que é sensual e o que é vulgar e as pessoas confundem muito isso.
Em um comercial dos sapatos Pegada, o ator Murilo Rosa joga boliche com Renata Fan e óbvio, quando ela se dobra para jogar a bola, a câmera dá um close em sua bundinha chocha, como diria mamãe. Os comerciais de cerveja então! Desnecessário falar.
Não acham que essa imagem extremamente sensual do Brasil é usada à exaustão? Será mesmo tão necessário assim fazer uso de bundas e peitos, caras e bocas para vender produtos?
Têm comerciais muito legais e engraçados e gostava do moço que vendia pamonha e rebolava; o do cigano também é muito legal.
Claro que as grandes companhias contratam famosos com grande apelo junto à população, mas tem gente boa, culta e interessante também!
Vejamos a graça e elegância de Camila Pitanga nos comerciais da Caixa; ela não precisou rebolar, fazer caras e bocas para aparecer, bastou seu talento e beleza. Simples assim.
Não sei o que está acontecendo com a cultura e com a música brasileira. Tudo está se tranformando em lixo consumível e descartável, até aparecer a nova celebridade. Até aparecer alguém com as versões "Eu quero tche, tcho... tchau, tchau, tchau... tcha ra ra..." com garotos vesgos de cabelos arrepiadas e calças mais justas que Deus.
O que estão fazendo com o Brasil?!
É isso.


                                            

Libertadores

                                        


Final da Libertadores no Pacaembu: Corinthians X Boca Juniors.
Agora é em casa e os curinthia são maioria.
Saio de manhã para resolver algumas coisas: banco, médicos, supermercados... Ando mais que "tiradô de espríto", como dizia mamãe.
Sou igual ao meu Santo São Paulo: não paro.
Sou igual ao Poderoso Timão: não para, não para, não para.
Tomo meu banho sagrado pela manhã e outro à noite; faça chuva ou faça sol, calor ou frio.
Começo a me vestir e percebo que estou com as cores do Boca: azul e amarelo. Penso comigo mesma: "Vixe! Da não! Vou trocar de roupa". Tiro a camisa amarelinha e visto uma branca, mais neutra. "Oxe! Até parece que vou torcer para los hermanos. É ruim, hein!!!"
Saio e bato os quatro cantos de Sum Paulo; vou do Mandaqui à Vila Romana, volto para o Tatuapé, depois Cangaíba, Vila Maria e depois para casa. Ufa!
Sim, mas antes passei pela Avenida Conceição e parei para comprar uma camiseta do Corinthians. O farol abriu, fechei o trânsito, comprei a camiseta e xingaram minha mãe. Exatamente nessa ordem. Alguns motoristas mais educadinhos diziam: "Da-le Boca!" e outros menos educados diziam: "Vamo $#@%¨&!".
Saí xingada mas saí com minha linda camiseta do Corinthians que faria par com minha bandeira do Corinthians; meus mantos sagrados. Corinthians é raça, é sofrimento, é agonia, é alegria, é dor. Graças a Deus. Amém.
Chego moída, como diz meu cunhado Pepê.
Tomo meu sagrado banho noturno, janto meus deliciosos legumes com arroz integral e suco de fruta com soja, chupo umas laranjinhas e até me lembrei de mamãe e as laranjas...
Vou para o sofá, ligo a TV, leio o Estadão, assisto depois ao Jornal Nacional e aguardo ansiosamente o fim da novela para poder começar o jogo, a grande final. 
Vai Curinthia!!!!!!
Pego meu São Jorge e o coloco perto da televisão. Começa o jogo. Zero a zero no primeiro tempo. Começa o segundo tempo e os argentinos causando no campo; agrediam fisicamente e verbalmente os manos do Corinthians. Os caras não sabem jogar, só sabem chutar, bater, agredir. Bando de hermano inguinórante!
Olho para São Jorge e digo: "Aê mano, só lembrando: olha o pescocinho! Na boa, sem violência, tá ligado? É nóis. Amém".
Corinthians 2 x Boca 0. Chuuuuuuupa!
Campeões invictos!
Claro que depois vieram as piadinhas, que o SPFC foi campeão não sei quantas vezes, que o Santos isso, que o Palmeiras aquilo.
Secar o Timão eu até entendo, mas torcer para argentino?!
E se esquecem que o Boca já ganhou em cima do Santos, do Palmeiras, Grêmio e do Cruzeiro e os caras ainda torcem para os hermanos?! 
Esse anticorinthianismo no fundo é inveja e incapacidade de assumir e admitir o amor e a admiração pelo Corinthians, tá ligado?
Nóis é raça, é garra, é força. Nóis é Curinthia, mano!
Sem violência e com todo o respeito aos antis: Vai Curinthia! Campeão invicto!
Chuuuuuuupa antis!!!!!!!!
Desculpem, foi mais forte que eu.


                                             

Gambiarra

                                                


O cabo/carregador do meu computador queimou, de novo.
Meu cunhado Pepê havia comprado um cabo genérico para substituir o original, mas este também não durou muito e queimou.
Pepê acha que é a corrente elétrica das tomadas daqui de casa. Deve ser mesmo.
Fiquei alguns dias sem computador, sem blogar e isso já estava me deixando avexada, agoniada, irritada e outros "adas". Ler e escrever são meus maiores vícios; não tenho muita paciência para ficar horas e horas diante do computador lendo e postando bobagens. Uma gracinha ou outra vá lá, é divertido, mas ficar o tempo todo nessa dependência não dá. Minha dependência é outra. São outras: livros, café, escrever, meu blog e meus gatos- não necessariamente nessa ordem.
Bom.
Tinha um antigo laptop, daqueles pesadões e lentos, e tentei conectar o cabo no meu laptop mais "mudérno", mas não deu. Foi aí que tive a ideia da gambiarra: cortei a ponta do cabo do meu computador, cortei a ponta do cabo do computador velhinho, descasquei os fios e conectei a ponta de um no cabo do outro. Isolei cada parte com fita preta (afrodescendente) isolante, para evitar curto circuito, e depois isolei tudo com mais fita para maior segurança. Liguei ao estabilizador e funcionou. 
Acho que era isso mesmo, a corrente elétrica é instável e isso acarretava problemas ao computador.
Mas a gambiarra será provisória, em breve comprarei o cabo original.
É isso.


                                    

terça-feira, 3 de julho de 2012

Lição

                                             


Beatriz tem uma lição para fazer; desenhar a pessoa mais idosa de sua família e advinha quem ela desenhou?
Maria Julia também tem uma lição para fazer nas férias, precisa escrever um texto sobre a pessoa mais velha em sua família e advinha sobre quem ela escreverá?
Sou a mais velha de seis filhos e meus irmãos me chamam de "véia". Deve ser por isso que a sobrinhada acha que sou a pessoa mais idosa na família.
Tem gente que não gosta de ser chamada de velha. Sei de pessoas que se vestem e se portam como se adolescentes fossem e escondem a idade a qualquer custo. Bobagem.
É bom ter sobrinhos inteligentes, terríveis e lindos como os meus,
É isso.


                                    

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Quermesse

                                         


Festas juninas e agora julinas. As quermesses e as festas italianas continuam.
Papai dizia "creméssi".
Sábado fomos à quermesse da comunidade onde meu irmão mora; foi muito legal. Tinha algodão doce, vinho quente, bolos, pudins, pastel, "carne louca" e outras guloseimas.
A molecada prefere ficar na barraca da pescaria, que é do meu irmão Fubá.
Beatriz pescou alguns prêmios e no meio deles veio um potinho com líquido para fazer bola de sabão. 
Comecei a soprar e as crianças pequenas se encantaram tentando pegar a bolas de sabão. Uma garotinha de pouco mais de um ano andava cambaleante, tentando coordenar os passos com a vontade louca de chegar mais perto do potinho em minhas mãos. Ela tentava equilibrar uma lata de guaraná em suas mãozinhas.
A mãe segurava outro bebê de poucos dias de vida. Pensei comigo: "Nossa! Não dava para esperar até a menininha crescer um pouco para ter outro filho? Oh viço!"
A menininha colocou a lata de guaraná no meu colo e esticou as mãozinhas pedindo o potinho de sabão e eu disse que era da minha sobrinha, mas ela balançou negativamente a cabeça e disse: "É meu".
Dei-lhe o potinho de fazer bolas de sabão.
Tentei depois andar pela rua movimentada e cercada por barracas que vendiam as mais variadas guloseimas, mas fui empurrada, xingada e olhada pelas pessoas que não entendiam minha mobilidade reduzida. Fiquei com medo de cair e voltei à barraca do Fubá e me sentei no banco; minha irmã Rosi pegava as coisas para mim.
As pessoas me olhavam, encaravam, algumas faziam comentários maldosos. Como sempre.
Um grupo de meninas entre dez e doze anos andava carregando um narguilé e fumando aquela coisa estranha e soltando baforadas. Elas tinham um olhar de desafio e provocação; senti muita negatividade naquela atitude de crianças que pensam que são adultas.
A rua abriu-se para dar espaço aos casais que dançariam a quadrilha. Estavam todos vestidos a caráter e foi muito engraçado e divertido. Até Rafaela prenda minha estava vestida de caipirinha.
Percebo alguém tocar meu braço e perguntar: "Professora, quando a senhora volta?". Era um aluninho meu da quinta série. Senti uma emoção boa e uma saudade boa que me fizeram esquecer por um momento aqueles olhares e comentários cruéis que me machucam tanto.
Comprei um algodão doce feito na hora, sai quentinho e é uma delícia. Fubá comprou para mim bolo de milho e curau e eu guardei para levar para casa. Depois comi um pastel e uma "carne louca". 
Usei como bandeja a lousa que Beatriz ganhou na pescaria e, claro, virei motivo de chacota do meu cunhado Pepê. Ele falou pra todo mundo que eu coloquei uns cinco pasteis, seis bolos, algodão doce, oito espigas de milho em cima da enorme lousa e comi tudo! Palhaço.
A lousa é dessas pequenininhas de brincar, óbvio, e é claro que eu não conseguiria comer tanta coisa de uma vez só! 
Mas foi divertido e semana que vem tem mais.
É isso.


                                   


                                    

Motivo, Sapatos, Arrumação

                                         


Arrumava a casa. 
Limpa daqui, lava ali, tira pó, esfrega chão...
Arrumava o guarda roupa e encontro dois pares de sapatos que um dia usei; os guardei de lembrança.
Sapatos lindos. 
Adoro sapatos. E que mulher não gosta?
Sapatos de salto alto, sem salto, mas elegantes. Nada desses tijolos presos à tiras a que dão o nome de plataforma, coisa mais horrenda.
Acho que fiquei com trauma a partir do dia em que fui para a escola calçada nas sandálias plataforma e vestindo um paletó doado por uma patroa de mamãe; a molecada falava: "Deixou seu pai sem paletó? Legal seu cavalo de aço". 
As sandálias faziam um "poc poc" danado em contato com o piso de madeira da nossa sala de aula. E justo naquele dia fui chamada à lousa! Tentei disfarçar, mas não teve jeito, e lá fui eu vestida no paletó e calçada nas sandálias plataforma e o "poc poc" ecoou pela sala. Vixe!. Fui motivo de gozação por um bom tempo. Isso que dá se meter a ser fashion!
Cavalo de aço eram sapatos com saltos grossos e altos, tipo plataforma, muito usados e fashion nos anos 70. Era a moda das calças com cintura muito alta, modelo "santropeito ou tomara que se enforque" e bocas de sino. Jesus!
Acho que é por esse motivo, ou motivos, que criei certa intolerância a sapatos/sandálias plataforma.
Arrumava, gosto de arrumar. Parece que arrumamos não apenas a casa, o guarda roupa, mas arrumamos a nós mesmos... por dentro.
Olhei velhas fotografias. Vi pessoas que já se foram. Pessoas que estão em outros lugares distantes, tanto geograficamente quanto emocionalmente, espiritualmente e outros "mentes".
Saudades, certa melancolia, certa revolta, lágrimas certas.
Papelada velha, amarelada pelo tempo. Rasguei, joguei fora. A gataiada corria atrás das bolas de papel; corriam, pulavam, traziam na boca, brincavam...
Eu sorria, falava com eles e jogava mais bolas de papel. Ficamos assim por alguns momentos e ouvíamos a boa e velha MPB do rádio do vizinho, que compartilhava com o restante da vizinhança seu bom gosto musical e a potência sonora de seu aparelho de som.
Muito boa, por sinal.
Mas eu falava sobre sapatos...
Guardei dois pares de sapatos que um dia serviram quando meus pés eram normais, pés grandes, mas normais. Hoje são suas bolotas gorduchas, largas, inchadas, grandes e de fazer inveja ao Incrível Hulk.
Fui à uma loja que vende calçados de numeração grande; provei alguns pares e ficaram horríveis. O problema dos meus pés não é o comprimento, mas sim a largura e a altura. Os pés transbordam para fora dos sapatos, parecem bolo quando cresce demais e transborda para fora da forma. Não é nada confortável. Mas o vendedor insistia dizendo "Ai, ficou lindo!". Para vender fazem qualquer negócio, até mentem!
Fiquei triste, só um pouco.
Eu adoro sapatos e quando vou às lojas de calçados é só para acompanhar alguém que vai comprar, porque para mim não dá. Acho lindos os calçados vendidos pela Avon, mas...
Enfio meus pezões acromegálicos em tênis pretos masculinos número 43, mas é chato. No inverno e em dias de chuva ainda passa, mas não dá para usar tênis com tudo, não combina.
O jeito vai ser mandar fazer, mas só me falta um pequeno detalhe: dinheiro.
Mas isso é só um detalhe.